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22 de janeiro de 2010

Cristovam: o filme Avatar é para ser vivido como uma experiência - 18/1/2010

Por Cristovam Buarque

Show de estética/beleza e ética/decência, graças à boa-técnica usada para denunciar a má-tecnica.





Avatar não é para ser visto como um filme. É para ser vivido como uma experiência. Como um carnaval em Olinda, um fim de semana em Nova Orleans (de antes do furacão Katrina), uma visita a Machu Picchu, a Chernobyl (de agora) ou a Auschwitz. Uma experiência que está mais para dentro de nós do que para as imagens em frente, na tela ou na vida.

Claro que isso é transmitido pelos efeitos especiais, ainda mais pela possibilidade de três dimensões, mas também pelo roteiro e sua oportunidade.

A história traz toda lembrança da ocupação das Américas com o genocídio e o ecocídio: os milhões de índios destruídos de Norte aa Sul do continente e a destruição das florestas, a contaminação das águas e do ar, pelo processo de ocupação que começou nos 1500 e continua até hoje com o sistema industrial em vigor. Serve como denúncia da destruição ecológica levando ao aquecimento global e a todas suas consequências.

O filme mostra de forma magistral o confronto entre a brutal alta tecnologia alienada contra a natureza e os povos "primitivos" e a suave e integrada convivência entre esses "primitivos" e a natureza. Ainda passa o otimismo, sem ingenuidade, da vitória do suave integrado sobre o brutal alienado. Mesmo que saiamos do filme imaginando que todos os brutos, derrotados e sendo mandados de retorno para a Terra, voltarão em breve e terminarão vencendo e destruindo o equilíbrio ecológico em Pandora.

O filme é um show a favor da vida e de denúncia do poder tecnológico.

Sem deixar de nos oferecer o sentimento de gratidão à tecnologia que permitiu o filme ser feito. Mostrando que o problema não está na inteligência e criatividade do ser humano, mas no modo como a inteligência e a criatividade são usadas. A luta não é apenas entre o Coronel que usa as máquinas brutais e assassinas e Jake que opta pela natureza. É também entre os que desenham aquelas máquinas de morte e artistas como James Cameron e sua equipe que usaram a inteligência tecnológica para produzir o show, belo esteticamente e decente eticamente, que é Avatar.




http://www.cristovam.org.br/portal2/index.php?view=article&catid=18&id=3421:cristova-avatar-e-para-ser-vivido-como-uma-experiencia-1812010&format=pdf&option=com_content&Itemid=100054

5 de novembro de 2007

PENSE NOVAMENTE

Vídeo utilizado em aula pela professora Isabel, que mostra a alienação humana em relação ao lixo. O problema parece só chegar à consciência das pessoas quando as afeta diretamente e brutalmente. Confira.

28 de outubro de 2007

THE SIMPSONS E O MEIO AMBIENTE



Esse filme pode muito bem servir como matéria para discussão sobre assuntos ligados ao meio ambiente. Aborda de uma maneira bem humorada e crítica a postura do ser humano em geral, frente aos acontecimentos ligados ao meio ambiente.

O filme se inicia com uma banda GREEN DAY que, ao final de seu show faz um apelo em favor do lago que está poluidíssimo. A população reage negativamente diante do apelo. A poluição dissolve o palco flutuante sobre o qual a banda se apresenta. O palco afunda como o Titanic.

Lisa, tocada pelas questões ambientais, sai batendo de casa em casa, tentando falar com os moradores sobre o problema detectado. Ela é mal recebida, pois ninguém quer ser perturbado com esse tipo de assunto. Não perdendo as esperanças, ela convoca os moradores para fazer uma apresentação. Quem assistiu o filme An Inconvenient Truth (uma verdade incoveniente) reconhece a cena: Lisa apresenta os gráficos de aumento dos níveis de carbono na atmosfera, mas só consegue “sensibilizar” a platéia quando avisa que a água que lhes deu para beber foi retirada do lago poluído. Inicia-se uma campanha para limpar o lago. Tudo parece perfeito: a cidade se organizou para fazer tratamento dos resíduos e o lago ficou perfeito, até que...

Certo dia, a família foi à igreja e o pastor disse que Deus revelaria sua palavra diretamente aos fiéis. De repente, o vovô que dormia, recebeu uma súbita revelação e desesperado começou a anunciar um terrível futuro. Em certo momento começou a falar palavras de maneira desconexa, girando no chão de agonia. A família Simpson o enrola no tapete da igreja e sai. Margie não se esqueceu do momento e, cuidadosamente passou a analisar as palavras que o vovô havia dito, tentando coloca-las em ordem, de modo que fizessem sentido.

Enquanto isso, o atrapalhado Homer adotou um porquinho, centro de suas atenções.Margie reconheceu no rabo do porco, a evidência de parte da profecia do vovô.O cocô do porquinho ficava armazenado num enorme container improvisado no quintal da casa. Margie perguntou quando que ele o esvaziaria. Homer amarra o enorme container sobre o carro e aguarda em uma enorme fila de carros sua vez de esvaziar os detritos de uma maneira ambientalmente correta, até que recebe um telefonema de um amigo que o avisa de uma grande festa numa doceria, que distribuia rosquinhas. O apetite voraz de Homer faz com que sua frágil consciência ambiental se desfaça e, em alta velocidade, parte para o lago, atropelando todas as placas de conscientização e barreiras de proteção. O container vai para a água, poluindo-a instantaneamente. O nível de poluição foi tão grande que um esquilinho que mergulhou nas águas do lago sofre imediata mutação, ficando com mil olhos.Mais uma vez, as palavras desconexas do vovô começam a fazer sentido. Cientistas da APA, agência de preservação ambiental, recolhem o animal que sofreu mutação, levando-o para ser observado. Percebem que sofreu uma mutação decorrente da poluição do lago.

O assunto ganha a mídia. As autoridades resolvem dar um jeito na situação da pior maneira possível, cobrindo toda a cidade com uma cúpula que a separaria do restante do planeta. Mais uma vez Margie percebe que as palavras do vovô fizeram sentido: APA, APA, palavras que ele gritava repetidamente eram a sigla da Agencia de Proteção Ambiental, sigla esta que estava gravada nos helicópteros que trouxeram a imensa cúpula. A população sitiada, já passava por privações. A bebezinha da família achou uma passagem para o mundo exterior, através da areia do playground. Essa passagem salvou a família Simpson de ser linchada pela população da cidade, que descobriu a culpa do Homer.

Quando saíram da cidade, Homer partiu para o Alaska com a família se esquecendo das dificuldades pelas quais passavam seus concidadãos, até que a situação calamitosa foi divulgada na TV. Margie e as crianças acharam que deviam voltar e fazer alguma coisa. Homer, no entanto, achou que os vizinhos mereciam aquele problema. Homer sai de casa para dar uma volta despreocupado e quando retorna, encontra somente sua fita de casamento, o único objeto que Margie retirou da casa antes que fosse destruída. Na fita, a gravação da esposa explicando que havia partido, mostrando sua total decepção com o marido.

Homer sai em busca de sua família, chicoteando os cães do trenó dia e noite, até que os pobres, estafados se rebelam contra ele. Homer fica desesperado e quase é devorado por um urso quando uma índia que o ajuda a ter uma epifania, uma revelação que mostrasse a ele o caminho a ser tomado em sua vida. Homer, depois de longo processo percebe seu egoísmo e parte para a cidade. Com seu heroísmo desastrado, acaba conseguindo, depois de várias tentativas, salvar a cidade, que já estava fadada a sumir do mapa. O governo, juntamente com a APA, havia colocado uma bomba que explodiria a cidade, juntamente com seus moradores. Homer consegue entrar pelo pequeno orifício no topo da cúpula e, já de cara, consegue que o tempo para que a bomba exploda diminua. Decepcionado, diante do fim eminente, recebe a ajuda de uma árvore, que aponta para uma moto. Homer percebe que essa é a maneira que salvará a cidade. Da mesma forma que aprendeu a correr com a moto pelo interior de um globo da morte para conseguir ganhar dinheiro para ir ao Alaska, ele faz no interior da cúpula, não sem antes procurar seu filho Bart para ajuda-lo em sua missão. Bart que estava decepcionado com a falta de caráter do pai, não resiste ao apelo de segurar a bomba nessa tarefa. Pai e filho saem a toda velocidade sobre a moto, alcançando o orifício no topo da cúpula. A emoção chega ao ápice quando a bomba gira sobre o orifício, como uma bola de basquete em torno do gargalo, até que explode, do lado de fora, fazendo a cúpula em cacos, libertando assim a cidade de Springfield. O casal se reconcilia e sobre a moto em movimento, se beijam longamente.

O mais interessante são as demonstrações de mau caráter, bem próprias do ser humano em relação às questões ligadas ao que é de responsabilidade de todos, como omissão, buscar nos outros a culpa, dentre outras más atitudes, que valem a pena ser discutidas com os alunos.