5 de novembro de 2007

A MARÉ NÃO ESTÁ PARA PEIXE


Visitar capitais como Rio de Janeiro e São Paulo. Pegar um avião e ir até Portugal. Nesse país, passar por Lisboa e por cidades como Coimbra e Porto. Você gostaria de fazer esse passeio? Pois um brasileiro cumpriu esse trajeto, mas não foi para se divertir. Na verdade, ele tinha uma missão: levantar informações sobre o pau-brasil, a árvore que deu nome ao nosso país e hoje é um dos seus maiores símbolos.
Se Ao andar nas areias de uma praia ou fazer um passeio de barco, talvez você tenha observado como o mar está sujo. São restos que as pessoas deixam, como plásticos e latas. Ou, então, manchas escuras que invadem as águas azul-esverdeadas. Será que ninguém faz nada para que os mares não fiquem poluídos? As cidades foram crescendo e, com isso, aumentou também o número de pessoas lavando louça e roupa, tomando banho, dando descarga na privada e fazendo outras atividades que usam água. As indústrias também jogam fora suas substâncias. Todo esse lixo líquido - o esgoto - é um dos principais fatores de dor de cabeça hoje. Afinal, como se faz para sumir com ele?
Na maior parte das vezes, o esgoto é jogado nos mares e rios. Muitos países tratam o líquido com substâncias químicas antes de eliminá-lo, mas nem sempre isso é feito. Nas regiões costeiras, os oceanos são vistos como latas de lixo! Resultado: rios, mares e praias sujos. Vejamos um bom exemplo: a maior parte das praias da baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, eram limpas e usadas como área de lazer até meados dos anos 60. Visitar a Ilha de Paquetá, que fica no meio da baía, era um programa legal! Há muitos anos, os homens se preocupam com as grandes quantidades de esgoto que chegam aos mares e rios. As pessoas começaram a fazer pressão e alguns governos criaram programas para cuidar da saúde e do meio ambiente. O mesmo aconteceu no Brasil e alguns rios ganharam sistemas de recuperação que incluíam estações de tratamento de esgotos e reflorestamento das suas margens. Exemplo disso é o rio Tietê, que corta a cidade de São Paulo e seus arredores, que teve alguns de seus trechos recuperados.
No Rio de Janeiro, um evento que entusiasmou as pessoas a se preocuparem com a poluição foi a 2a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento - a Rio 92. Foi a partir dessa reunião, que juntou gente do mundo todo, que a população pressionou o governo para fazer algo para diminuir a poluição da baía de Guanabara.
No Brasil, infelizmente, a maioria das casas e das indústrias não dispõe de um sistema de tratamento de esgotos e seus resíduos são lançados a céu aberto. São as valas negras, que poluem os rios e os mares, chegando até as praias. Elas emporcalham tudo! Essa poluição também atinge o lençol freático, ou seja, a camada de água que fica debaixo do solo.
Alguns organismos são mais sensíveis à poluição e acabam morrendo. Isso faz com que regiões poluídas tenham uma biodiversidade menor, ou seja, menor variedade de espécies de animais e plantas. Reduzir a poluição das águas
Quais seriam os caminhos para reduzir a poluição das águas? Em primeiro lugar, seria preciso criar novas estações de tratamento de esgoto, reduzindo assim a quantidade de esgotos sem tratamento que casas, prédios e indústrias jogam nos rios e mares.
Outra ação que deveria ser feita é construir emissários submarinos, que são longos canos que levam o esgoto, soltando-o para bem longe da costa, em alto-mar. Talvez você esteja se perguntando: "E não polui do mesmo jeito?" A diferença é que em alto-mar existe uma quantidade maior de água e os esgotos ficam mais diluídos. Em alguns casos, é preciso construir emissários também para os esgotos tratados, porque algumas substâncias encontradas neles podem causar danos ao meio ambiente. É o caso de regiões próximas ao litoral onde há pouca circulação de água, como em lagoas e enseadas.
A presença de grande quantidade de certas substâncias químicas, tais como amônia e fosfato, faz com que aumente o número de fitoplâncton (plantas do mar microscópicas). Quando essas plantas morrem, elas são degradadas (desmanchadas) por bactérias, que usam o oxigênio das águas para realizar esse processo. Se houver um grande número dessas plantas morrendo, é consumida uma grande quantidade de oxigênio da água. Sem oxigênio, muitos peixes morrem.
Outros problemas da poluição estão relacionados a metais pesados (como chumbo, cádmio e mercúrio), em geral liberados pelas indústrias. Mesmo em pequenas quantidades, essas substâncias afetam a vida marinha, reduzindo a reprodução e o crescimento das espécies. Um caso histórico aconteceu na baía de Minamata, no Japão, quando foram contaminados todos os organismos (inclusive o homem) que viviam nas águas ou em torno dela. A baía de Sepetiba, no Rio de Janeiro, também já recebeu grandes quantidades de metais pesados. Os pesquisadores observaram que esses elementos permanecem durante muitos anos no fundo de lagos, lagoas, baías e outros corpos d’água.
Controlar a poluição marinha não é tarefa simples. Cabe a todos nós pressionar as autoridades para realizar obras de saneamento e proibir os lançamentos de esgotos no mar. As indústrias também precisam ter cuidado na hora de realizar suas atividades. Precisamos viver com melhor qualidade de vida, em um ambiente sadio e respeitando todas as formas de vida! Quem sabe a gente ainda volta a tomar banho de mar numa ilha como era Paquetá antigamente?

adaptado do artigo de Ricardo Coutinho
publicado originalmente em CHC 86

Nenhum comentário: